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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Roupa

Durante a semana sou Secretária de Direcção. Visto-me de uma forma clássica, cuidada, arranjo-me, apesar de raramente colocar maquilhagem. Não que não goste, mas sou preguiçosa. Para colocar, para retirar. À noite, quando saio, arranjo-me de forma diferente. Mais sofisticada, maquilhada. 

Ao fim de semana ando conforme calha. De calça de ganga, de sapatilha, cabelo apanhado. Não varia muito. Quando estou com os piriquitos, então... ando o mais prática possível.

Ora isto a propósito de ter dito que a fulana do Pai dos piriquitos me chateia. E ainda por cima tá boa. Não me chateia, não me incomoda por isso. Incomoda-me por tantas outras coisas. Porque passa mais tempo com os meus do que eu. Porque usufrui das minhas coisas, ainda hoje. Do que é meu, do que eu construí. 

O 'ainda por cima tá boa' é constatação de facto, mas não é isso que me incomoda. Eu é que tenho olhinhos na cara e reconheço.

Porque ouvi que 'se te arranjasses quando vais buscar os piriquitos não te sentias assim'. É mais fundo que isso. O que me dói é mais profundo que a roupa.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Desapontamentos


Fui buscá-los e como não tenho carro pedi que mos levasse à estação do comboio. O pai deles disse que, por motivos que não me queria explicar, não mos ia levar. Resolvi a questão, pedindo a um casal amigo que lá fosse por mim para não perder o comboio, para não os fazer ficar na estação às 11 da noite, para que chegássemos todos ao destino às 23.30 em vez de à 1 da manhã. Para que eles ficasse confortáveis na cama em vez de num comboio. 

E ele não deixou. E ainda ligou para o meu amigo a reclamar, a dizer que se não mos levava era 'para a lixar a ela, não tem a ver convosco'. Mas não te importas que os meninos fiquem na rua? que não tenham onde dormir? Se não têm onde ficar, problema dela! Olha, querendo tu ou não, não a deixo a rua. A questão é se mos deixas ir buscar ou não, contrapunha o meu amigo. Deixa estar, eu levo-os lá. 

E levou. Ou melhor, pediu à companheira que os levasse. Enquanto ele ficou na sala de espera do comboio a ver. 

Fiquei envergonhada! Perante os meus amigos, por ele ter ligado num tom tão agressivo, por ainda mostrar tanta raiva, perante mim por ter escolhido tão mal e, acima de tudo, pelos meus filhos que mereciam um Pai com valores morais melhor definidos. 

E pergunto-me que tipo de mulher se presta a este tipo de papel? Ah, já sei!! O mesmo que não se incomoda em atirar-se para os braços do marido de uma amiga... Está explicado!